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Alternativas da Educação

E se tudo der certo?

Mamãe e papai, eu vou ser atendente de lanchonete, ou lixeiro, ou faxineira, ou porteiro, ou babá. Mas não se preocupem, porque se tudo der certo, eu vou ganhar meu salário trabalhando honestamente e vou me orgulhar muito da minha vida, mesmo não ganhando tanto quanto meus colegas. E vocês vão se orgulhar também.

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Passa muito rápido!

Todos os pais e mães já ouviram essa frase: “Aproveita, porque passa muito rápido!“. No meio das madrugadas insones, cheirando a leite, embaladas por choros e cansaço sem fim, fica difícil acreditar nisso. Mas quando me dei conta, dei de cara com uma menininha falante e articulada, imersa num mundo de fantasia, cheia de vontades e determinação. Onde foi parar minha bebê? E o que tudo isso veio me ensinar?

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Elogio x Encorajamento

Boa parte da minha infância se passou nos anos 80, quando floresceu a autoajuda. Palavras como amor próprio e autoestima foram bombardeadas pelos “gurus” da época, na TV e nos livros. Até hoje temos essa tendência de achar que autoestima é o maior bem que podemos deixar para nossos filhos. O fato de confundirmos elogio com encorajamento pode explicar em parte porque a autoajuda acabou sendo motivo de escárnio.

Os elogios gratuitos, já se sabe, são contraproducentes. Pesquisas recentes mostram que crianças muito elogiadas por sua inteligência, por exemplo, têm medo de se arriscar a aprender algo novo, justamente para não perderem essa etiqueta. Elas precisam acertar de primeira e obter sucesso o quanto antes, senão desistem de tentar. Na melhor das intenções, podemos criar um ser humano que vai avançar pouco na vida, com medo de ser imperfeito.

A mania de elogiarmos as meninas pela beleza (algo que eu faço bastante, admito) também pode ser um tiro no pé. Numa sociedade onde a mulher ainda é massacrada para seguir determinados padrões estéticos, vincular demonstrações de afeto à aparência pode gerar transtornos alimentares e de imagem no futuro. Claro que beleza pode ser elogiada, mas deve ceder espaço para outras qualidades igualmente femininas: força, coragem, determinação, cooperação, solidariedade, etc.

Eu já sei que elogiar o tempo todo não é legal, mas fui uma criança que raramente foi elogiada. Talvez esteja aí o nó. Talvez o narcisismo nosso de cada dia também se faça presente através dos elogios e acabe contaminando o que deveria ser uma simples demonstração de amor. Mas se a gente ama tanto essas crianças e se nossos filhos são mesmo tão sensacionais, o que fazer?

Recomenda-se que o elogio não seja à personalidade e sim à atitude, ao esforço. Dessa forma, a criança terá sempre como recorrer a um recurso interno para lidar com problemas e frustrações. E não precisa se apegar a nenhum rótulo, positivo ou negativo. Pode mudar de atitude a qualquer momento, pois sente que o amor e a aprovação dos pais não estão ligados a características imutáveis.

É importante lembrar que a criança ainda não tem um filtro interno que module o comportamento. É sempre tudo ou nada. E esse extremismo pode ser facilmente transferido para a idade adulta. Se eu sou sempre “a obediente”, posso me cristalizar nesse padrão e ter muito medo de questionar uma autoridade, mesmo quando a melhor saída é fazê-lo, para me defender de um abuso, por exemplo. Se sou sempre “a forte”, não posso fraquejar nunca. Se sou sempre “a carinhosa”, não posso demonstrar minha raiva com honestidade. Se sou sempre “a alegre”, preciso esconder minha tristeza, para agradar quem me elogia.

Outra coisa a ser evitada, dizem os especialistas, é o elogio como forma de manipulação. “Que menina linda, comeu tudo!”, exclamamos, sem nos darmos conta do absurdo de conectar uma característica física como “linda” ao ato de “comer tudo”. Uma coisa nada tem a ver com a outra, mas acreditamos que, ao elogiar, vamos reforçar determinado comportamento positivo. Isso até pode funcionar a curto prazo, mas acabamos criando uma dependência de elogios para que ocorra uma ação positiva.

Quando aponto uma atitude corajosa de um filho, pontuando exatamente o momento em que ele demonstrou essa coragem, eu o ajudo a perceber que sempre há uma escolha e que ele tem plenas condições de fazê-la. Encorajar, no dicionário, é alentar, incentivar. Atitudes que demandam ação, tanto do encorajador, quanto do encorajado. E coragem, no dicionário, é constância e perseverança diante do sofrimento. Algo que, eu aposto, desejamos mais para nossos filhos do que uma banalizada autoestima.

Criatividade ou eficiência?

Estou há alguns meses fora do ar, mas por um bom motivo: fiquei envolvida na criação da minha nova página sobre cerâmica, que acaba de sair do forno. Eu que me gabava de fazer várias coisas ao mesmo tempo, confesso que não consegui. Mergulhei de cabeça nesse novo universo e não tive olhos para mais nada. O que era apenas um hobby ou uma expressão de um desejo há muito reprimido, tomou um caminho inteiramente inesperado.

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Uma amizade que muda o mundo

Estamos quase no final de 2016, um ano duro e desafiador, especialmente em nível político e econômico. Às vezes fica difícil manter o otimismo. Mas a palestra da cineasta Estela Renner, criadora da Maria Farinha Filmes e da fundadora do Instituto Alana, Ana Lucia Villela, realizada na escola Waldorf Rudolf Steiner, em 24 de novembro, me deixou emocionada e esperançosa. A potência de duas mulheres que, através da amizade e da parceria, estão tentando mudar o mundo, me contagiou também.

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Filhos não são de marte

Carlos Gonzales é conhecido como o “pediatra que quebra regras”, mas o que ele diz e defende está profundamente enraizado no passado. Não na época de nossas mães, avós ou bisavós, mas há 1 milhão de anos, quando ainda nem éramos conhecidos como homo sapiens. Segundo ele, essa fase da evolução humana explica, ainda hoje, o comportamento da imensa maioria dos bebês. O pediatra catalão esteve em São Paulo, em 19 de novembro, numa palestra organizada pela Editora Timo, que publica três livros dele no Brasil: “Besame Mucho“, “Manual prático de aleitamento materno” e “Meu filho não come“. Num auditório lotado de pais, mães, educadores, profissionais ligados à infância, além de muitos bebês, ele falou sobre choro, instinto materno, afeto, ciúme, birras e alimentação.

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7 maneiras de empoderar uma mulher

Liberdade com estabilidade, dificuldades e soluções para a ascensão profissional, inclusão das minorias negras, periféricas e com deficiência, violência doméstica e abuso sexual, novos arranjos familiares na criação dos filhos, superação de tragédias pessoais, compaixão, solidariedade e propósito de vida. Esses temas urgentes e eletrizantes deram o tom do TEDxSP, realizado em 2 de novembro, na Sala São Paulo. As palestrantes desmistificaram o “empoderamento feminino” e mostraram caminhos para uma sociedade mais igualitária entre homens e mulheres.”Já era hora de falar sobre isso“, foi o mote do evento.

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A covardia da perfeição

Uma pesquisa recente revelou que as mulheres, no mundo corporativo, só se candidatam a cargos de gerência ou posições superiores se tiverem certeza de que preenchem 100% dos requisitos para a vaga. Já os homens, diante da mesma oportunidade, são mais ousados: acreditam que possuir 60% das competências exigidas já é suficiente para se candidatarem. A chefe operacional do Facebook, Sheryl Sandberg, afirma que “as mulheres atribuem seu sucesso ao trabalho duro, à sorte e à ajuda recebida de outras pessoas. Homens atribuem seja qual for o tipo de sucesso às suas próprias habilidades“. E uma pesquisa da University College London diz que, enquanto os homens superestimam sua inteligência, as mulheres normalmente subestimam suas habilidades. O que está por trás disso?

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Ser mãe tá mais difícil?

Amigxs leitorxs, vocês andam assustadxs ou aliviadxs com a enxurrada de desabafos de mães na internet? Apoiam ou repudiam as mães que têm a coragem de dizer que a maternidade tem seus momentos de raiva, dúvida, medo e até arrependimento? É tudo frescura de quem “não nasceu pra ser mãe” ou uma confissão sincera e corajosa? As respostas podem estar nas nossas próprias infâncias.

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