Este blog é sobre educação infantil, sob o ponto de vista de uma mãe jornalista, mas olhando de forma mais abrangente, é sobre maternagem, sobre infância, sobre revolução, sobre vida, sobre mim mesma e meus valores.

Eu sempre quis ser mãe, mas tinha ideias completamente diferentes sobre gravidez, parto, criação, educação. Meus pontos de vista foram se modificando de tal forma, que só posso atribuir essas mudanças profundas à existência da minha filha. Ela foi o catalizador de coisas em mim que jamais pensei que existiam ou que viriam à tona.

Acredito que criar um filho hoje é um exercício constante de esperança e idealismo, pois se olharmos a dura realidade, se só pensarmos que nossos filhos vão sofrer nesse mundo, sem condições de mudar nada ou tendo que encontrar seu lugar ao sol derrubando os demais, pra que fazer filhos? Só vale a pena se for pra pensar em sermos melhores e criarmos esses seres da melhor forma, com valores mais adequados à humanidade, à sustentabilidade, à generosidade, à paz, num mundo onde impera o egoísmo, o individualismo, a alienação, a violência.

Desde que engravidei e senti o baque da responsabilidade de trazer mais um ser humano ao mundo, comecei a buscar informação. Sentia que poderia criar minha filha de uma maneira diferente da que fui criada, sem contudo deixar de reconhecer os pontos positivos da educação que recebi. Muitos erros que meus pais e a geração deles cometeu na criação dos filhos foram resultado da falta de informação, do comportamento de manada: “se fizeram assim comigo e deu certo, vou fazer também”.

E o que é “dar certo”? Fazendo uma análise mais profunda, será que não existem coisas disseminadas e aceitas sem questionamento na nossa criação que agora podem e devem ser mudadas na educação dos nossos filhos? Acredito fortemente que sim. Vejo a necessidade de mudanças em todos os setores: gravidez, parto, amamentação, alimentação, disciplina, educação, lazer, consumo, etc. Tudo pode ser aprimorado.

Por um tempo pensei que isso talvez fosse uma forma diferente de perfeccionismo, do tipo: “hum, vou ser a mãe perfeita e fazer tudo certo”. Mas minha busca é pelo aperfeiçoamento contínuo, não pela perfeição. Sempre dá pra fazer melhor. E acredito que essa busca faz de mim um ser humano melhor, pois isso implica em sempre reconhecer meus erros (que sempre existirão, pois sou humana) e tentar acertar da próxima vez.

Criar um filho pra mim é uma construção diária, um caminho, não um fim em si mesmo. Não estou buscando criar simplesmente uma pessoa “de bem” e sim um ser humano, inteiro, com seus pontos fortes e fracos. Um ser humano bem à vontade no mundo, mas que também não se conforma com as injustiças deste mundo e busca fazer dele um lugar melhor pra se viver. Um ser humano não somente preocupado com o próprio umbigo, mas com empatia, coragem e amor suficientes pra olhar seu entorno. Um ser humano que também busca o aperfeiçoamento contínuo, pois não tem vergonha de enxergar e corrigir seus erros.

Conceitos sujeitos à múltiplas interpretações, como “felicidade” e “sucesso” já não fazem mais tanto sentido. Minha filha será o que tiver de ser, com as potencialidades que desenvolver, mas enquanto estiver sob minha tutela, tenho a responsabilidade de criar o ambiente ideal para que essas potencialidades se transformem em realidade. E isso é muito sério, muito profundo, muito difícil. Não há nenhuma garantia de sucesso nessa empreitada, mas pelo menos já posso ver algumas mudanças em mim mesma e só por isso já vale a caminhada.

Depois de mergulhar profundamente na busca por uma gravidez saudável, por um parto respeitoso, por uma amamentação e alimentação mais conscientes, estou agora no momento de buscar uma educação mais afinada com esses novos valores. E não tem sido fácil. Na verdade, muito mais fácil é acreditar que uma escola elitista, que ensina vários idiomas e apresenta o mundo digital desde cedo ou que prepara para o vestibular e o mercado de trabalho é a melhor escolha.

Mas já não penso assim. Já não vejo mais as escolas como simples formadoras de mão de obra qualificada ou como criadoras de mentes mais competitivas, que façam mais sucesso nesse mundo cão. Busco escolas que disseminam valores para melhorar e transformar o mundo. Não quero criar mais uma pecinha da engrenagem de moer gente, quero criar alguém que ajude a mudar essa engrenagem. Talvez seja muito ambicioso da minha parte, mas minha intuição sussurra que é esse o caminho e pretendo seguir por ele, ciente de que nele não existem fórmulas ou respostas prontas e sim o próprio caminho a percorrer. Vou aprender junto com minha filha e isso pra mim é excitante e inspirador.

Fiquei pensando em como conciliar minha busca com algo que adoro fazer, que é pesquisar, ler, buscar e disseminar conhecimento e aí veio a ideia do blog. Estou dividindo essa busca pessoal com vocês e espero que possamos trocar ideias e informações e crescer todos juntos nesse processo.

Sejam bem-vindos!

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