O que é educar? É simplesmente buscar uma escola e escolarizar os filhos, para que se enquadrem num sistema preestabelecido? Quais os fatores que levam os pais a considerar uma escola boa ou ruim? Quais os critérios que norteiam essa escolha? A partir de quando podemos e devemos nos preocupar com isso?

Foi com essas perguntas difíceis na cabeça que comecei minha jornada em busca de respostas que fizessem mais sentido para mim do que meramente procurar uma escola de sucesso, que ensina línguas desde cedo e prepara para o vestibular e para o mercado de trabalho. Me surpreendi com um mundo de informações, com tantos caminhos, que me deixaram pensativa: sim, existem caminhos alternativos aos tradicionais, mas é preciso pesquisar muito, não há no momento um guia fechado, como aqueles guias escolares de antigamente, através dos quais a gente escolhia o melhor dentro dos critérios custo x benefício x proximidade de casa ou do trabalho.

Percebi que, novamente, o buraco era mais embaixo, ou seja, era preciso mais clareza e foco para entender, em primeiro lugar: o que estou buscando? E em segundo lugar: qual(is) a filosofia(s) ou pedagogia(s) que embasa(m) o que estou buscando? E somente então: qual(is) escola(s) desenvolvem essa pedagogia? E dessas, quais são mais adequadas à minha família? Me deparei com um documentário maravilhoso, “A Educação está Proibida“, que traz um panorama histórico da educação, tanto na América Latina, como no mundo. Esse documentário abriu meus olhos para esses caminhos alternativos e me deixou ainda mais fascinada pelo tema.

Em resumo, o documentário mostra que a Educação como hoje conhecemos, praticamos e reproduzimos, vem de um modelo bélico, militar, que visava atender aos interesses do Estado para formar “cidadãos” obedientes e reprodutores do sistema, numa linha de montagem ininterrupta. Nos tempos atuais, o Estado não é mais o Senhor da Educação, esse papel agora cabe ao Mercado, que forja seus interesses na pedagogia e nos valores que norteiam todo o atual processo educacional. O objetivo hoje é ter sucesso no mercado de trabalho, sair na frente, ter mais recursos competitivos para assegurar um lugar ao sol no futuro e girar cada vez mais rápido a roda do consumo.

O modelo educacional de inspiração militar, mesmo hoje sendo conduzido e dominado pelo mercado, mantém em sua essência o cerceamento da liberdade individual de pensar e agir. Esse modus operandi atua com maior ou menor força, dependendo dos objetivos da escola, como ela se “vende” ao mercado. Quando falamos em escola “forte”, geralmente nos referimos a uma escola cuja disciplina é mais intensa. Esse tipo de escola está dando lugar a uma escola teoricamente mais “livre”, mas que contém em seu cerne o mesmo cerceamento, a mesma prisão, só que com a ilusão de que de alguma forma somos livres para agir e pensar.

O problema é que essa liberdade falsa é forjada para que possamos seguir as diretrizes do mercado, assim que tivermos idade e cognição para isso. Não precisamos ir muito longe: as crianças bem pequenas já são cooptadas pelos brinquedos, roupas, festas, diversões e valores ditados pelo mercado. Essas crianças hoje influenciam 80% das decisões familiares de compra e são alvo de campanhas publicitárias cada vez mais sofisticadas, persistentes e engenhosas. E se nada for feito, serão os ávidos consumidores de amanhã, gerando essas falsas necessidades em seus próprios filhos. Acredito que esse foco no consumo tem tudo a ver com educação, pois é no ambiente escolar que começam a se formar as noções de cidadania, sucesso e fracasso, identidade, desigualdade social.

Não tenho a ilusão de que vamos conseguir sair totalmente desse esquema, mas acredito que é possível sim, em vários momentos, caminhar à margem dele e encontrar novas paisagens e horizontes. Precisamos nos arriscar a pelo menos tentar!

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