Uma das coisas mais bacanas da maturidade, que anda chegando por aqui, com mais um aniversário, é começar a perceber, bem lentamente, que a felicidade e o bem-estar tem muito pouco ou nada a ver com as circunstâncias e pessoas fora de mim.

Esse é um vislumbre de algo muito maior, um flash que de vez em quando surge na minha frente, como um clarão em meio a tantas sombras, mas já dá pra perceber que é possível sim ser muito feliz sem exigir nada de mim, da vida, das pessoas e das situações. O mais incrível é que, quanto menos eu exijo, mais condições tenho de fazer por mim, pelas pessoas e pela vida em geral.

Nasci tendo todas as melhores condições de saúde e uma vida farta e confortável. Não conheci a pobreza, a fome, a doença, a necessidade extrema de coisas extremamente básicas. Mas infelizmente aprendi, desde cedo, através de padrões familiares e culturais, que eram essas coisas externas e materiais, bem como pessoas e circunstâncias fora de mim, as responsáveis por me fazerem feliz. Eu teria somente que trabalhar duro para retê-las e controlá-las, a fim de nunca perder essas fontes de bem-estar. Ou então, segundo uma visão mais “meritocrática”, teria que lutar muito para que certas coisas viessem a mim, como uma recompensa mais do que justa por toda essa luta.

Muitos mestres espirituais já falaram que “onde há luz, não existem sombras”. A questão da consciência é, pra mim, hoje, uma questão central da vida. Estar cada vez mais consciente de quem eu sou, de como funciono, das minhas expectativas irreais e dessa dependência do externo pra ser feliz é um primeiro passo para a grande mudança que sinto ser necessária para que eu possa ser mais feliz, aqui e agora.

Estar consciente é colocar luz nas sombras dos pensamentos escravizantes do ego, em busca de algo mais significativo. Estar consciente significa ser responsável. Assumir que minhas escolhas vão gerar resultados, que as sementes que planto hoje vão germinar no futuro e trarão frutos, quer eu esteja consciente disso, ou não.

Estar consciente significa ser responsável. Assumir que minhas escolhas vão gerar resultados, que as sementes que planto hoje vão germinar no futuro e trarão frutos, quer eu esteja consciente disso, ou não.

Educar, hoje, pra mim, significa plantar sementes de consciência, em primeiro lugar, sobre mim mesma. Estar aberta a perceber minhas sombras e fraquezas e deixar que essa luz dissipe essas dificuldades. Se não tenho consciência de mim, eu não consigo respeitar essa outra pessoa, esse outro ser humano, que chamo de “filho/a”.

Um filho/a pode significar uma projeção narcísica desse “eu” inconsciente e imaturo. Quando estou consciente de mim, eu percebo que só posso exigir desse filho/a o que eu mesmo posso fazer ou elaborar. Percebo que esse/a filho/a não veio para me salvar, nem pra me trazer felicidade, nem para fazer o que eu não consigo, para melhorar minha imagem ou para “cuidar de mim”. Se eu já consigo e posso ser feliz hoje, simplesmente sendo quem eu sou, eu retiro o peso da expectativa sobre esse/a filho/a e permito que ele/ela seja feliz também.

Esse trabalho de “iluminação” não termina nunca e o mais interessante é que, quanto mais eu ilumino meu interior, através da consciência da auto-descoberta, mais eu vejo sombras que ressurgem e cantinhos escuros a iluminar. Vou percebendo que esse trabalho, ao contrário do que imaginava, não vai me tornar santa ou perfeita e sim, mais humilde, por entender que minha humanidade é feita disso: luzes e sombras que se alternam dentro de mim.

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