Tem muita gente torcendo o nariz para uma palavra que anda “bombando” nas redes sociais: empoderamento. Realmente, quando uma palavra, antes nunca ou quase nunca mencionada, começa a ser dita demasiadas vezes, dá pra desconfiar e até mesmo criar uma certa antipatia pelo termo…

Eu gosto de pensar que essa palavra pode ser substituída por outras, com o mesmo significado: estar consciente, ser responsável, assumir as rédeas da vida, saber defender os próprios direitos. Significa reivindicar para si o poder de fazer escolhas e não tem a ver somente com o que as feministas pregam para as mulheres, tem a ver com a postura de todos nós diante da vida.

Penso que as redes sociais estão trazendo uma enxurrada de opiniões formadas de maneira superficial, sobre assuntos pra lá de complexos. Hoje todo mundo tem uma opinião sobre tudo e isso às vezes pode ser perigoso, no sentido de que nem sempre o que se expressa publicamente tem a ver com humanidade, civilidade, capacidade de acolher o diferente, tolerância, ou mesmo amor. Tenho visto muito ódio nas redes, amplificado pela capacidade quase infinita de conexão imediata com qualquer pessoa do globo. Um megafone poderoso.

Por outro lado, as redes sociais inauguraram um individualismo que, se bem utilizado, pode nos fazer questionar verdades até então inquestionáveis. Quantos de nós, ao obter um diagnóstico via laboratório, não procuramos o “Dr Google” em busca de respostas e significados para determinadas palavras encontradas em nosso laudo? Quantos de nós já não questionamos médicos, psiquiatras, pediatras, porque simplesmente entramos em contato com outras visões, opiniões e definições sobre determinada condição de saúde? Esse questionamento (afinal, estamos falando da nossa saúde e da saúde dos nossos filhos) é benéfico para que possamos assumir a responsabilidade pelo nosso tratamento. Em vez de aguardarmos passivamente as instruções dos nossos médicos, nós agora queremos ser agentes ativos do nosso processo de cura.

A mesma coisa se dá quando escolhemos uma escola para os filhos. Não existe mais uma verdade inquestionável, um caminho único, uma autoridade inabalável. Não podemos ficar passivos diante das condutas escolares. Precisamos assumir a responsabilidade de construir junto com a escola (e com nossa comunidade) um ambiente que possa ampliar os horizontes de nossos filhos, que respeite a individualidade deles e esteja de acordo com nossos valores. Dá trabalho? Claro que sim.

Não existe mais uma verdade inquestionável, um caminho único, uma autoridade inabalável. Precisamos assumir a responsabilidade de construir junto com a escola (e com nossa comunidade) um ambiente que possa ampliar os horizontes de nossos filhos.

Durante muito tempo, o discurso da maioria das escolas, sejam “alternativas” ou não, foi de que os pais precisavam se envolver mais no ambiente escolar. E agora muitos pais querem efetivamente participar desse ambiente e nesse ponto a democracia é trabalhosa: acolher diferentes pontos de vista, questionamentos constantes, sugestões de melhoria, reclamações, protestos, etc, causa em algumas escolas um certo desconforto, com tentativas vãs de se manter o status quo, que só causam mais conflitos.

Quando questionamos a escola de nossos filhos, quando mostramos o que na nossa visão precisa ser modificado, mostramos a eles que é possível divergir sem entrar em guerra e que o conflito às vezes é necessário para a manutenção da paz. Quando os professores e coordenadores se abrem para ouvir as críticas e para tentar melhorar suas próprias condutas, mostram que sabem acolher o diferente, mostram que estão em processo evolutivo contínuo e ensinam aos alunos o poder da humildade. Quando os pais se abrem para ouvir o que a escola aponta na educação de seus próprios filhos, mostram a eles que não são infalíveis e que estão dispostos a mudar, mesmo que não concordem com determinadas abordagens.

Se não houver essa capacidade de escuta de todos os lados, o diálogo se torna superficial e estéril. E isso freia o desenvolvimento da comunidade escolar. Uma atitude de “portas abertas” mostra que somos maduros, pois não temos medo de repensar nossas posições, decisões e escolhas. Mostra que, acolhendo o contraditório, podemos dar significado às nossas vidas e também ensina empoderamento aos nossos meninos e meninas.

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